Viver mais, num Concelho que não se está a preparar

 
 
Hoje, mais do que nunca há uma clara necessidade de desenvolvimento de politicas e respostas especificas para a população sénior, que não passam apenas e exclusivamente pelo esbanjar verbas em atividades de cariz lúdico e pontual. Não quer dizer que estas não sejam importantes e necessárias, claro que o são! Enquadradas numa planificação bem definida, onde exista preocupação com o lazer e o envelhecimento mais ativo, mas que não se tornem ações que tomem só por si a dianteira na ação social e seja esquecida a intervenção mais profunda e estrutural do que se pretende que seja a “Ação Social” numa Autarquia. Parece-nos que quem nos governa localmente, não está em conexão com a realidade, ou seja, entre as formas de viver e de envelhecer. Há necessidade de mudança de paradigma. Assistimos a uma total ausência de um plano de intervenção estratégico para a população idosa, sendo esta a que mais cresce e sobretudo aquela com mais de 80 anos, a qual a curto prazo se tornará a mais representativa. Existem zonas geográficas do Concelho de Paços de Ferreira com um elevado indice de envelhecimento. Que plano têm para esta faixa etária da população? Quais as medidas previstas para as áreas geográficas com maior concentração de população com mais 65 anos de idade? Concerteza não passará exclusivamente por passeios e desfiles, ou apenas pela implementação de um Cartão Municipal Sénior, que entre 20 de abril e 20 de junho de 2018 teve apenas 21 adesões.
O Concelho de Paços de Ferreira tem um enorme e excelente legado na área da intervenção social, sustentado e visivel no excelente trabalho que é desenvolvido por todas as IPSS. Trabalho que teve parte da sua génese num projecto de intervenção comunitário e de Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social nos anos 80 e 90, o qual permitiu que se desse a alavanca necessária para que o apoio efectivo junto da população idosa fosse concretizado. Sim, estas instituições são o verdadeiro rosto da intervenção social no Concelho de Paços de Ferreira. São elas que no dia a dia, sobretudo através das respostas sociais de Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário as quais prestam cuidados diários aos séniores e lhes proporcionam momentos de companhia e lazer. São estas instituições que se deparam com as questões diárias da dependência dos idosos, com as dificuldades de os encontrarem sós em suas casas… com o drama de muitas familias, pois o diário não é só festa! Estas respostas sociais, como é do conhecimento geral, apoiam no periodo diurno, questionamos, que apoio têm à sua disposição familias e seniores fora destes horários? Que apoios tem a Autarquia previstos ao nivel da adaptação das habitações para seniores mais dependentes e com necessidade de cuidados de saúde nos seus domicilios? Qual a estratégia prevista para apoiar as familias e os cuidadores que têm idosos a seu cargo e não têm como cuidar deles por questões laborais, profissionais, económicas, quando a familia está exausta e precisa de descansar… e quando não há familia? Onde e como são apoiados aqueles idosos que necessitam de apoio 24 horas, quando a resposta em Estrutura Residencial para Idosos é muito deficitária no Concelho de Paços de Ferreira, no que se refere ao número de camas e vagas existentes?
Que plano estratégico de intervenção social de proximidade junto da população idosa existe de forma concertada, interdisciplinar, multisectorial e interinstitucional no Concelho de Paços de Ferreira que permita dar resposta a estas e a muitas outras questões com que os séniores e familias se defrontam diariamente? A política social local, deixa muito a desejar, deixamos três linhas orientadoras que talvez possam ajudar: o alargamento dos serviços “básicos”, segundo a possibilidade de alargamento da capacidade instalada dos equipamentos e no terceiro a diversificação de medidas, mais adaptadas à expetativas dos próprios idosos e das suas famílias.
 
Ana Cristina Ferreira
Membro da Assembleia Municipal do PSD de Paços de Ferreira