O REGRESSO

Categoria: PSD Paços de Ferreira

Após um longo período de ausência, os utentes dos Centros de Dia puderam regressar. Quando fecharam, há mais de um ano, nenhum dos utentes, funcionários ou dirigentes imaginavam quanto tempo estas respostas sociais estariam encerradas.

            As instituições foram mantendo o contacto por domiciliação dos serviços, visitas e pequenas surpresas. Os profissionais ligados a estas valências sentiram-se “vazios”, foram recorrendo à sua criatividade e carinho para que os seus “meninos” não se sentissem abandonados.

            Esta “travessia do deserto” foi infinita para os utentes, para as suas famílias e para todos os profissionais que com eles convivem diariamente. Fui acompanhando a tristeza e por vezes o desalento de todos, com o contínuo adiamento da reabertura.

            Alguns dos idosos foram infetados com SARS-CoV-2, outros, acometidos de outras doenças, foram ficando mais frágeis e alguns, infelizmente, acabaram por não resistir. Os profissionais assistiam à diminuição da “família” com dor. Até as despedidas estavam impedidas.

            Com a permissão da reabertura são exigidas novas regras de funcionamento. Os Centros acoplados a outras respostas sociais, como ATL e lares, só podem reabrir após vistoria da Delegação de Saúde. Todas as especificidades exigidas têm de estar garantidas e, mais uma vez, todos os profissionais se empenharam a definir circuitos, redesenhar os espaços para manter o afastamento e, simultaneamente, a possibilidade de convívio, reprogramar actividades e preparar o regresso.

            A 5 de Abril as portas reabriram. Os utentes regressaram, alguns com lágrimas de alegria pelo reencontro. As funções motora e cognitiva foram bastante afectadas durante este período de inactividade. Utentes e profissionais têm feito todo o esforço para manter estes centros em funcionamento em segurança.

            Alguns Centros não conseguiram ainda reabrir por diferentes motivos, entre dificuldades financeiras, limitação de espaço e perda de utentes. Em todo o país, só 30% destas valências reabriram.

            É de louvar e reconhecer a resiliência de todos aqueles que vão conseguindo manter estes Centros abertos, cumprindo o seu objectivo – melhorar a qualidade de vida dos idosos.