Vai de trotinete!

A promoção de um território deve estar presente no dia-a-dia dos responsáveis autárquicos. Os recursos direcionados para a imagem do concelho, suas características e projetos não são, necessariamente, um custo! Pelo contrário, dada a concorrência por pessoas e projetos empresariais, a imagem pela qual um concelho é conhecido é um ativo fundamental para aumentar a sua atratividade. É um investimento no futuro. Mas convém que não seja publicidade enganosa…

Vem este considerando prévio a propósito do Ano Municipal do Ambiente. Já tive oportunidade de referir, num órgão de comunicação diverso, que não é pelo facto de se ter inaugurado esta “efeméride” com um vídeo da nossa terra muito bem produzido e um evento com tiques “hollywoodescos” que vamos ter, nesta temática, resultados efetivos e mensuráveis a 31 de Dezembro de 2019.

Estamos já a terminar o 1º trimestre do ano. O que vimos até agora de ações efetivas na área do ambiente? Como não é difícil concluir que estes foram 3 meses perdidos para o nosso concelho, sou obrigado a pedir ao Sr. Vereador que acelere o passo de forma a que a implantação de medidas efetivas para a salvaguarda do meio ambiente do concelho seja feita com a mesma ferocidade com que o assessor de imprensa da Câmara Municipal lhe tira fotos para publicação das suas iniciativas (inhas) numa qualquer rede social!

Ainda recentemente emergiram deste “saco cheio de nada” mais duas ações:

1. Instalação de (mini) estufas em todas as escolas do concelho: dada a dimensão destas estruturas e a evidente falta de espaço para fazer o que quer que seja ao nível da plantação agrícola, qual o real objetivo desta medida? Qual o impacto que terá, mesmo que seja ao nível da educação ambiental dos nossos jovens?

2. Implementação do sistema de trotinetes no concelho: confesso, que ao tomar conhecimento desta medida, a considerei positiva. No entanto, passei a desconfiar da mesma a partir do momento em que percebi que o seu início seria marcado por mais uma atividade “pirotécnica” no próximo dia 23 de Março. Contribuíram também para a minha difidência dois problemas muito concretos:

                i) A completa falta de transparência do processo contratual. A minha qualidade de Vereador deveria ser condição para que eu conhecesse as condições em que as trotinetes vão ser colocadas ao dispor dos nossos cidadãos, mas muitas informações continuam a ser-me sonegadas. Foram adquiridas pela Câmara Municipal? É uma empresa privada que as gere? Se sim, houve procedimento concursal para a escolha da empresa?

ii) Por último e mais importante: que condições tem o nosso município para acolher estes veículos nas suas estradas? Vão circular em “concorrência” com os restantes veículos nas estradas municipais? Que procedimentos de segurança vão ser implementados? A Câmara Municipal assumirá a responsabilidade em caso de acidentes?

O PSD de Paços de Ferreira vai estar particularmente atento a esta questão. E cá estaremos para pedir contas caso algo não corra de forma adequada. Porque acredito que a ação municipal não vive só da “espuma” com que nos temos deparado nos últimos tempos e o tempo passa rápido tal como provam os primeiros 3 meses do Ano Municipal do Ambiente e da Cidadania que já passaram a voar… de trotinete!

Joaquim Pinto